
20/02/2007
31/01/2007
AUSÊNCIA

« Num deserto sem águaNuma noite sem luaNum país sem nomeOu numa terra nua...Por maior que seja o desesperoNenhuma ausência é mais funda do que a tua.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
04/01/2007
28/12/2006

Pequeno Príncipe (trecho)
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou: - O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
13/11/2006
Dor
17/07/2006
Despedida
Ah... a despedida
Todas as despedidas custam...
E cada uma custa mais que a anterior...
Ah... e então esta... Não temos pressa... vamos devagar... demoramos...
A saudade cresce, mesmo antes de irmos... e cresce... e cresce...
Ah... a despedida...
Todas as despedidas custam...
E cada uma custa mais que a anterior...
Ah... e então esta... Não temos pressa... vamos devagar... demoramos...
A saudade cresce, mesmo antes de irmos... e cresce... e cresce...
Ah... a despedida...
17/01/2006
O Mistério do Amor
" O perene mistério,que atravessa como um suspirocéus e corações..."
Fernando Pessoa
03/01/2006
Regresso
Qualquer regresso à rotina custa sempre mais um pouco que o anterior.
Um dia meio cinzento, a sensação de nunca termos saído daquele sitio...
O mesmo autocarro, as mesmas caras, as mesmas ruas, os mesmos vizinhos...
A rotina voltou... E temos a sensação de que isso era a última coisa que queriamos nesse momento...
Mas depois vem a noite e com ela os primeiros sinais de cansaço.
Dormimos, até bem melhor que o habitual, e ao acordarmos no dia seguinte, tudo parece bem...
Estamos ali, no mesmo sítio, a acordar à mesma hora, a apanhar o mesmo autocarro, a ver as mesmas pessoas, a passar nos mesmos sitios... mas não nos importamos... Afinal, é a nossa rotina.
Não há nada como uma boa noite de sono...
E o Regresso torna-se desejado...
Um dia meio cinzento, a sensação de nunca termos saído daquele sitio...
O mesmo autocarro, as mesmas caras, as mesmas ruas, os mesmos vizinhos...
A rotina voltou... E temos a sensação de que isso era a última coisa que queriamos nesse momento...
Mas depois vem a noite e com ela os primeiros sinais de cansaço.
Dormimos, até bem melhor que o habitual, e ao acordarmos no dia seguinte, tudo parece bem...
Estamos ali, no mesmo sítio, a acordar à mesma hora, a apanhar o mesmo autocarro, a ver as mesmas pessoas, a passar nos mesmos sitios... mas não nos importamos... Afinal, é a nossa rotina.
Não há nada como uma boa noite de sono...
E o Regresso torna-se desejado...
22/11/2005
Lágrimas ocultas
Florbela Espanca
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
14/11/2005
Se tanto me doi que as coisas passem
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
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